Existe uma frase repetida com orgulho havia quase 60 anos pelos torcedores mais antigos do West Ham United: "o West Ham ganhou a Copa do Mundo". Não é exagero de torcedor apaixonado — é fato histórico. Na única conquista de Copa do Mundo da seleção inglesa, em 1966, três jogadores do elenco titular vestiam a camisa do West Ham: o capitão Bobby Moore, o artilheiro Geoff Hurst e o meio-campista Martin Peters.
Um capitão de 23 anos escolhido antes mesmo da estreia como técnico
Ao lado de Moore no West Ham estavam Martin Peters, revelado nas categorias de base do clube, e Geoff Hurst, centroavante que começou o torneio sequer sendo titular da seleção.
A final que ninguém esquece
No dia 30 de julho de 1966, em Wembley, a Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na final, em uma partida que só terminou de fato na prorrogação. Os três jogadores do West Ham tiveram participação direta na conquista: Moore como capitão, organizando a defesa e o time; Peters marcando o segundo gol da equipe; e Hurst com uma marca que nenhum outro jogador conseguiu igualar até hoje — o único hat-trick já feito em uma final de Copa do Mundo.
Uma amizade que atravessou décadas
Mais do que uma coincidência de elenco, Moore, Hurst e Peters mantiveram uma relação próxima dentro e fora de campo ao longo de toda a carreira. Peters, inclusive, chegou a jogar ao lado de Hurst em outra conquista pelo West Ham: a Recopa Europeia de 1965, um ano antes do título mundial, quando o time venceu o TSV Múnich 1860 na final, disputada também em Wembley.
Com o passar dos anos, os três seguiram caminhos diferentes — Peters se transferiu para o Tottenham em 1970, em uma negociação histórica que o tornou o primeiro jogador da história do futebol britânico vendido por £200 mil, enquanto Hurst e Moore seguiram vínculos mais longos com o clube. Ainda assim, a amizade e o respeito mútuo permaneceram intactos: quando Peters faleceu, em 2019, após enfrentar mal de Alzheimer, foi Hurst quem liderou publicamente as homenagens ao amigo e ex-companheiro de time.
Um legado que dura até hoje
Bobby Moore acumulou mais de 500 partidas pelo West Ham, venceu a FA Cup de 1964 e foi eleito o melhor jogador do futebol inglês naquele mesmo ano, além de ser eleito a Personalidade Esportiva do Ano pela BBC em 1966. Faleceu em 1993, aos 51 anos, vítima de câncer, e recebeu, décadas depois, o título de cavaleiro britânico de forma póstuma, unindo-se a Hurst — já cavaleiro havia anos — no reconhecimento oficial da coroa britânica.
Até hoje, nenhuma outra seleção campeã do mundo teve três jogadores titulares vindos do mesmo clube que não fosse considerado, à época, uma potência do futebol europeu — um detalhe que transformou o West Ham, ainda que por tabela, em parte permanente da única história de título mundial do futebol inglês.
Fontes: West Ham United, National Football Museum, Wikipedia e cobertura histórica da imprensa esportiva britânica.

