Existe uma frase repetida com orgulho havia quase 60 anos pelos torcedores mais antigos do West Ham United: "o West Ham ganhou a Copa do Mundo". Não é exagero de torcedor apaixonado — é fato histórico. Na única conquista de Copa do Mundo da seleção inglesa, em 1966, três jogadores do elenco titular vestiam a camisa do West Ham: o capitão Bobby Moore, o artilheiro Geoff Hurst e o meio-campista Martin Peters.

Um capitão de 23 anos escolhido antes mesmo da estreia como técnico


Quando Alf Ramsey assumiu o comando da seleção inglesa em 1963, uma de suas primeiras decisões foi entregar a braçadeira de capitão a um zagueiro do West Ham de apenas 23 anos: Bobby Moore. A escolha se provaria uma das mais acertadas da história do futebol inglês — Moore se tornaria, com o passar dos anos, um dos zagueiros mais respeitados da história do esporte, reconhecido por sua elegância, visão de jogo e liderança dentro de campo.

Ao lado de Moore no West Ham estavam Martin Peters, revelado nas categorias de base do clube, e Geoff Hurst, centroavante que começou o torneio sequer sendo titular da seleção.

A final que ninguém esquece

No dia 30 de julho de 1966, em Wembley, a Inglaterra venceu a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na final, em uma partida que só terminou de fato na prorrogação. Os três jogadores do West Ham tiveram participação direta na conquista: Moore como capitão, organizando a defesa e o time; Peters marcando o segundo gol da equipe; e Hurst com uma marca que nenhum outro jogador conseguiu igualar até hoje — o único hat-trick já feito em uma final de Copa do Mundo.

A imagem mais icônica do dia — Bobby Moore erguido nos ombros dos companheiros, segurando a taça Jules Rimet no alto — se tornou um dos retratos mais reproduzidos da história do esporte britânico, e foi posteriormente reproduzida em uma escultura de bronze erguida nas proximidades do antigo estádio do West Ham, o Boleyn Ground, em homenagem direta à contribuição do clube para o título mundial.

Uma amizade que atravessou décadas

Mais do que uma coincidência de elenco, Moore, Hurst e Peters mantiveram uma relação próxima dentro e fora de campo ao longo de toda a carreira. Peters, inclusive, chegou a jogar ao lado de Hurst em outra conquista pelo West Ham: a Recopa Europeia de 1965, um ano antes do título mundial, quando o time venceu o TSV Múnich 1860 na final, disputada também em Wembley.

Com o passar dos anos, os três seguiram caminhos diferentes — Peters se transferiu para o Tottenham em 1970, em uma negociação histórica que o tornou o primeiro jogador da história do futebol britânico vendido por £200 mil, enquanto Hurst e Moore seguiram vínculos mais longos com o clube. Ainda assim, a amizade e o respeito mútuo permaneceram intactos: quando Peters faleceu, em 2019, após enfrentar mal de Alzheimer, foi Hurst quem liderou publicamente as homenagens ao amigo e ex-companheiro de time.

Um legado que dura até hoje

Bobby Moore acumulou mais de 500 partidas pelo West Ham, venceu a FA Cup de 1964 e foi eleito o melhor jogador do futebol inglês naquele mesmo ano, além de ser eleito a Personalidade Esportiva do Ano pela BBC em 1966. Faleceu em 1993, aos 51 anos, vítima de câncer, e recebeu, décadas depois, o título de cavaleiro britânico de forma póstuma, unindo-se a Hurst — já cavaleiro havia anos — no reconhecimento oficial da coroa britânica.

Até hoje, nenhuma outra seleção campeã do mundo teve três jogadores titulares vindos do mesmo clube que não fosse considerado, à época, uma potência do futebol europeu — um detalhe que transformou o West Ham, ainda que por tabela, em parte permanente da única história de título mundial do futebol inglês.

Fontes: West Ham United, National Football Museum, Wikipedia e cobertura histórica da imprensa esportiva britânica.